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Gestão Financeira

Faturamento não é lucro: a diferença entre faturar e ter margem

Duas empresas com o mesmo faturamento podem deixar resultados muito diferentes. O que é margem bruta, de contribuição e líquida, como cada uma é calculada e por que crescer sem conhecê-las pode significar ganhar menos.

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2 min de leitura

"Quanto a sua empresa fatura?" é a pergunta que todo empresário sabe responder. "Quanto ela deixa?" é a que costuma ficar no ar. A diferença entre as duas é a margem, e ela é o número que decide se vale a pena crescer.

As definições, sem rodeio

  • Faturamento (ou receita bruta) é o total vendido no período, antes de qualquer desconto.
  • Margem é a fração do faturamento que sobra depois de determinados custos. Ela é expressa em porcentagem, e existem três que importam.

Margem bruta

Faturamento menos o custo direto do que foi vendido (mercadoria, insumo, mão de obra direta). Mostra se o preço cobre o custo de produzir ou comprar.

Margem de contribuição

Faturamento menos custos e despesas variáveis: além do custo direto, saem imposto sobre venda, taxa de cartão, comissão e frete. É o que cada venda contribui para pagar as despesas fixas da empresa. É a margem mais útil para decidir preço e promoção.

Margem líquida

O que sobra depois de tudo: custos, despesas variáveis, despesas fixas (aluguel, folha, sistemas) e impostos sobre o resultado. É o lucro de verdade, em porcentagem do faturamento.

O exemplo que muda a conversa

Empresa A Empresa B
Faturamento mensal R$ 100.000 R$ 60.000
Margem líquida 5% 15%
Lucro mensal R$ 5.000 R$ 9.000

A empresa A fatura 66% a mais, trabalha mais, tem mais equipe e mais risco. E deixa menos. Sem conhecer a margem, o dono da empresa A acredita que está à frente.

Por que crescer pode significar ganhar menos

Porque o crescimento costuma vir com margem menor: desconto para vender mais, faixa mais alta do Simples, mais parcelamento no cartão, mais gente. Se a margem de contribuição cai mais do que o volume sobe, o resultado encolhe enquanto o faturamento cresce. O empresário sente isso como "trabalhar mais e sobrar menos", e é exatamente o que está acontecendo.

Margem por produto, serviço e canal

A margem média da empresa esconde o problema. O que decide é a margem por linha:

  • o produto que mais vende pode ser o que menos deixa;
  • o canal de aplicativo pode ter margem negativa depois da comissão;
  • o serviço "de entrada" pode estar financiando o resto.

Separar a margem por linha é o que permite tirar do catálogo o que dá prejuízo e empurrar o que dá resultado.

Como isso é medido na prática

Com uma DRE gerencial mensal, montada a partir do caixa conciliado, com custos e despesas classificados por natureza e por linha de produto. Não é o balanço contábil: é um relatório desenhado para decisão, entregue e explicado todo mês.

Se você sabe quanto fatura e não sabe quanto deixa, a primeira conversa já mostra o que não está sendo medido.

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